Simulador de compra de insumos para produção de cerveja na AmBev

Adaptação de métodos de teste de usabilidade para o ambiente remoto durante a pandemia, com Design Sprint, co-criação e um Focus Group de Usabilidade com 18 "donos de carteira" para validar a nova versão do sistema.

Sistema interno Design Sprint Pesquisa remota
Empresa
AmBev
Duração
a definir
Setor
Indústria & Bebidas
Layout da solução do simulador de compra

Sobre

O cliente era a AmBev, e o desafio era melhorar a usabilidade de um sistema interno de simulação e compra de insumos para a produção de cerveja — um sistema complexo, cheio de detalhes técnicos e com linguagem muito específica para seus usuários.

O projeto começou em um "mundo normal" e terminou no meio da pandemia, o que forçou a adaptação de praticamente todos os métodos de pesquisa e validação para o formato remoto.

Objetivo

Redesenhar a experiência do sistema de simulação e compra de insumos reduzindo os pontos de atrito identificados na navegação entre módulos, e validar a nova proposta com os usuários reais mesmo sem a possibilidade de testes presenciais.

Abordagem

O processo foi dividido em três frentes complementares:

Entrevistas em profundidade e user walkthrough com os "donos de carteira" para mapear a jornada atual

Co-criação com Design Sprint presencial, antes da pandemia, para alinhar arquitetura de informação

Focus Group de Usabilidade remoto para validar arquitetura, fluxo e UI com 18 usuários simultaneamente

Entrevistas em profundidade e user walkthrough

O primeiro passo foi entrevistar em profundidade os "donos de carteira" — a equipe de compras responsável por adquirir materiais como malte e cevada — mapeando sua jornada diária e realizando um walkthrough pelo sistema atual.

Com as entrevistas compiladas, ficou mais claro quais eram as principais tarefas, necessidades e dores. O time mapeou 6 módulos com tarefas distintas e identificou pontos de atrito em que os usuários precisavam navegar entre diversas páginas para cumprir uma tarefa relativamente simples.

Dinâmica de co-criação em grupo
Dinâmica de co-criação em grupo.

Co-criação com Design Sprint e prototipação

Antes do início da pandemia, o time foi ao escritório do cliente em São Paulo para uma adaptação curta do Design Sprint, reunindo todos os "donos de carteira" — cada um com necessidades de visualização diferentes — para chegar mais rápido a um ponto em comum.

Co-criação com os donos de carteiras
Co-criação com os "donos de carteiras".
Desenho do fluxo do usuário
Desenho do fluxo do usuário.

Os wireframes de média fidelidade foram validados de forma lean: vídeos curtos gravados no Loom explicavam as propostas de funcionalidade para o líder interno do projeto, que repassava aos participantes e trazia feedback por e-mail ou chamada de vídeo — uma dinâmica ágil para identificar rapidamente o que precisava mudar.

Componentização da UI

Com os wireframes aprovados, o time partiu para a UI reaproveitando um Design System já em uso em outro projeto da AmBev, visando padronizar componentes entre os produtos da empresa.

Layout da solução do simulador
Layout da solução do simulador.

Plano de validação

Com poucas horas de projeto restantes para uma última rodada de validação, três formatos foram avaliados e descartados — testes individuais (redundantes, já que o líder interno havia validado boa parte com os usuários), testes via Maze (custo de setup não compensava) e um Focus Group só de UI (pouco assertivo para aspectos estéticos).

A alternativa escolhida foi um Focus Group de Usabilidade: apresentar a versão final do fluxo para todos os usuários ao mesmo tempo, validando arquitetura e usabilidade em uma única sessão remota — adaptando a dinâmica descrita em um artigo de referência sobre focus groups de UX para o formato 100% remoto.

Focus group de usabilidade

No dia da sessão, no Zoom, os links dos protótipos de cada fluxo eram enviados pelo chat conforme o teste avançava, seguidos por um pequeno questionário ao final de cada etapa. Com 18 participantes, foi combinado que apenas uma pessoa falaria por vez, o que facilitou o registro dos comentários.

Ao final, uma avaliação SUS (System Usability Scale) foi enviada por e-mail para uma visão geral da usabilidade da nova proposta — e o feedback recebido foi bastante positivo.

Conclusões

A adaptação foi o fio condutor do projeto, que começou antes da pandemia e terminou em plena adaptação remota. O formato de Focus Group de Usabilidade remoto, embora não substitua uma avaliação presencial, se mostrou eficaz — aprovado pela equipe, pelo cliente e pelos próprios usuários.

18 "donos de carteira" validaram o fluxo em uma única sessão remota